Cultura Música
Vinil em alta: Feira de Discos conquista espaço e reúne gerações em Feira de Santana
Público fiel e a nova geração vem redescobrindo o prazer de ouvir música no toca-discos
12/05/2026 12h57 Atualizada há 2 horas atrás
Por: Redação Fonte: Raylle Ketlly
Foto: Dan Victor

O chiado da agulha no disco, as capas clássicas espalhadas pelas bancas e a busca por raridades transformaram o último sábado (9) em uma verdadeira viagem musical em Feira de Santana. A 9ª edição da Feira de Discos de Feira de Santana, realizada no Container Mall, na Avenida Maria Quitéria, reuniu dezenas de apaixonados por música analógica e mostrou que o universo do vinil está longe de ser coisa do passado.

Com entrada gratuita, o evento contou com 15 expositores de várias cidades da Bahia, reunindo mais de 12 mil títulos entre LPs, CDs e fitas K7. Além das relíquias musicais, o público também curtiu discotecagem 100% analógica com DJ Márcio Campos, além de itens de cultura pop e vintage.

Mais do que uma feira de compra e venda, o encontro virou um ponto de conexão entre diferentes gerações. Jovens em busca do primeiro disco dividiram espaço com colecionadores experientes, famílias e curiosos atraídos pelo charme retrô do vinil.

À frente da organização está Ivan Coelho, feirense e colecionador desde 2015. Apaixonado especialmente por MPB e rap nacional, ele conta que o interesse pelos discos começou como curiosidade e acabou virando estilo de vida.

“A experiência analógica de ouvir música muda tudo. Você para, escuta com atenção, aprecia a capa, entende o contexto daquele álbum. O disco tem história”, afirma.

Segundo Ivan, a ideia da feira surgiu justamente da necessidade de criar um espaço para reunir quem compartilha dessa paixão.

“Percebi que muita gente em Feira sentia falta desse encontro. Então, junto com lojistas e outros vendedores, criamos um ambiente onde colecionadores, curiosos e amantes da música pudessem trocar discos, histórias e experiências”, explica.

O crescimento do evento surpreendeu até os organizadores. O que começou de forma tímida hoje já atrai visitantes de outros estados e movimenta a cena cultural da cidade.

“Hoje a feira virou referência na Bahia. A cada edição a gente sente que a cultura vintage está mais forte”, destaca Ivan.

E quem pensa que o público é formado apenas por colecionadores antigos se engana. Segundo ele, boa parte dos frequentadores é formada por jovens interessados em descobrir o universo analógico. Muitos deles comprando o primeiro LP antes mesmo de ter uma vitrola em casa.

“Tem muita gente nova chegando. Famílias inteiras vão para ouvir música, conversar e viver essa experiência. É nostalgia e renovação juntas”, diz.

Além das vendas, a feira aposta em experiências culturais, com discotecagem em vinil, troca de discos, exposições e bate-papos sobre música. 

Para Ivan, a importância do evento também passa pelo fortalecimento da economia criativa local.

“Feira de Santana respira cultura, mas faltava um ponto fixo para o vinil. A feira valoriza os sebos, os comerciantes locais e coloca a cidade no mapa dos eventos de música analógica do Nordeste. É uma forma de resistência cultural".

E os planos seguem girando na velocidade certa. A expectativa agora é transformar a 10ª edição em um marco ainda maior, com oficinas de conservação de discos, convidados de fora do estado e edições temáticas.