Há um ano, uma ideia baseada no desejo de aproximar pessoas por meio do forró começou a ganhar forma em Feira de Santana. Nascia o Forró e Vinho, iniciativa idealizada por Wdson Neves com uma proposta que vai além da dança: criar um espaço de encontro, acolhimento, respeito e convivência.
A iniciativa surgiu a partir de uma percepção de Wdson sobre o próprio universo do forró. Embora reconhecesse o potencial da dança para aproximar pessoas, ele também observava divisões entre escolas e grupos. A partir daí, veio a pergunta que deu origem ao projeto: por que não criar um espaço em que todos pudessem dançar juntos, independentemente de onde aprenderam ou de quanto tempo tinham de experiência?
“O forró é o nosso ponto de partida, mas o que queremos construir vai muito além da dança”, explica Wdson. A ideia é que o evento seja um ambiente em que uma pessoa possa chegar sem conhecer ninguém e, ainda assim, sentir-se parte da comunidade.
Mais que dança
O diferencial do Forró e Vinho está justamente na maneira como a iniciativa encara o forró. A proposta não é apenas reunir música e dança, mas construir uma experiência de pertencimento.
Quem participa é também convidado a ajudar a formar esse ambiente. Uma das práticas incentivadas pelo projeto é que os participantes convidem outras pessoas para dançar, especialmente quem está chegando pela primeira vez.
Para Wdson, não é necessário ter experiência, conhecer os passos ou sequer ter um par para participar. A iniciativa é aberta a todos que tenham vontade de experimentar o forró.
“Você não precisa saber dançar, não precisa ter par e não precisa conhecer ninguém”, destaca. A intenção é justamente romper com a ideia de que é preciso dominar a dança antes de se permitir vivenciá-la.
E onde entra o vinho?
O vinho também carrega uma história pessoal do idealizador. Wdson conta que sempre foi apaixonado pela bebida e costumava levá-la para encontros com amigos, em momentos que envolviam jogos de tabuleiro, karaokê ou simplesmente conversas.
Por isso, quando o projeto começou a ser pensado, o vinho acabou incorporado naturalmente à identidade da iniciativa. Mais do que uma escolha estética, ele representa, para Wdson, a ideia de compartilhar momentos, conversar e criar conexões.
Assim, o nome Forró e Vinho sintetiza duas dimensões do projeto: a dança como elemento de aproximação e o vinho como símbolo de convivência e encontro.
Construindo pontes entre escolas
Outro aspecto importante da iniciativa é a tentativa de aproximar diferentes escolas, professores e alunos de forró. Em vez de competir ou substituir os espaços já existentes, o projeto busca criar pontes.
“A gente acredita que a cultura fica mais forte quando as pessoas deixam as diferenças de lado e encontram aquilo que têm em comum”, afirma Wdson.
Essa perspectiva contribui para que o Forró e Vinho funcione como um ponto de convergência dentro da cena do forró em Feira de Santana, reunindo pessoas com trajetórias e experiências diferentes em torno de uma mesma manifestação cultural.
Um ano de histórias
O crescimento do projeto, segundo o idealizador, aconteceu de maneira orgânica. Pessoas chegaram, levaram amigos, fizeram indicações e compartilharam suas experiências. Aos poucos, a iniciativa foi crescendo junto com a própria comunidade que se formou ao redor dela.
Entre as histórias que mais marcaram Wdson estão justamente aquelas de pessoas que chegaram tímidas, inseguras ou sem conhecer ninguém e, depois de algum tempo, estavam dançando, fazendo amizades e convidando outras pessoas para participar.
Para ele, esses momentos representam uma das principais confirmações de que o propósito inicial do projeto está sendo alcançado.
O que vem pela frente
Depois do primeiro ano, os planos são ampliar a experiência sem perder as características que deram origem ao projeto. Wdson pretende criar novas experiências, aproximar ainda mais as escolas, alcançar um público maior e fortalecer o forró como manifestação cultural e espaço de encontro.
“Quero que ele seja visto como um espaço de encontro e de cultura”, resume.
A trajetória do primeiro ano mostra que, para o Forró e Vinho, a dança é apenas o começo. O objetivo maior é colocar pessoas diferentes para compartilhar o mesmo espaço, construir relações e descobrir, através do forró, aquilo que pode uni-las.