Feira de Santana Teatro
Peça de teatro em Feira de Santana discute violência patriarcal a partir da obra de prestigiado dramaturgo contemporâneo
Os recursos cênicos utilizados prezam pelo minimalismo, que comunicam a crueza e a vulnerabilidade de um contexto social
21/08/2026 15h18
Por: Redação
Foto: Laura Nogueira

O espetáculo Braseiro reestreia em Feira de Santana nos dias 11 e 12 de setembro de 2026 no Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA/UEFS). A dramaturgia, assinada por Marcos Barbosa, apresenta um drama familiar que se passa no início do século XX, no interior do Nordeste brasileiro. A peça gira em torno do confronto entre quatro personagens – Filho, Pai, Avó e Mãe –, em uma situação de desespero diante da urgência de salvar a vida do primogênito, acusado de ter roubado nas terras de um conhecido jagunço da região. A crise deflagra as relações de disputa e poder no seio familiar como reflexo das violências estruturais, revelando traumas e trazendo à tona brutais acontecimentos do passado.

O trabalho, marcado artisticamente por uma construção colaborativa em que cada pessoa intérprete é co-criadora da obra, tem direção de Kadu Fragoso e o elenco é formado por Arielle Liza, Ari Santana, Caio Pinheiro, Daniela Landin, Dayslla Medeiros e Gil Tanajura. Os recursos cênicos utilizados prezam pelo minimalismo, que comunicam a crueza e a vulnerabilidade de um contexto social onde “manda e desmanda quem tem dinheiro e quem faz medo ao povo”. Assim, a encenação, precisa e inventiva, com elementos significativos, dá destaque à visceralidade da interpretação, convidando o público a ser, a um só tempo, testemunha e participante do desenrolar da trama. 

Foto: Lyed Caldas

Semifinalista do Jabuti 2025, o mais tradicional prêmio literário do país, na categoria Romance de Entretenimento, Marcos Barbosa vêm há mais de 25 anos investigando por meio da criação literária, sobretudo pela dramaturgia, enredos ambientados em territórios marcados pela desigualdade flagrante e pela violência extrema. Braseiro, escrito em 2000, ecoa uma complexa ordem social cuja superação mostra-se ainda hoje distante. Filiada à mais profícua tradição literária brasileira, principalmente nordestina, voltada para a crítica social, e representada por nomes como Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz e José Lins do Rêgo, a peça de teatro do autor cearense faz recordar que ainda há muito a se debater sobre a violência patriarcal em meio rural, onde mais comumente se percebe a ausência de direitos básicos, e as estratégias de sobrevivência decorrentes dessa realidade. 

FICHA TÉCNICA:
Realização: Coletivo INventários e KF Produções Culturais 
Texto: Marcos Barbosa
Direção: Kadu Fragoso
Intérpretes: Arielle Liza, Ari Santana, Caio Pinheiro, Daniela Landin, Dayslla Medeiros e Gil Tanajura
Cenário: Rafael Montenegro, Dayslla Medeiros e Kadu Fragoso
Produção: Kleyverson Rodrigues
Figurino: Laura Ribeiro da Silva 
Iluminação: Kadu Fragoso e Kurixibá
Audiovisual: Kurixibá e Tony Sem Sobrenome
Social Media: Arielle Liza, Dayslla Medeiros, Kurixibá e Tohn Moreira
Arte-final (cartaz): Kleyverson Rodrigues
Operação de áudio e som: Kurixibá
Fotografia: Kurixibá, Lyed Caldas e Laura Nogueira
Intérprete de Libras: Célia Mascarenhas 
Assessoria de Imprensa: Tohn Moreira

SERVIÇO:
Local: Sala 09 do Centro Universitário de Cultura e Arte/CUCA (Rua Conselheiro Franco, 66 – Centro, Feira de Santana/BA)
Datas: 11 e 12 de setembro de 2026
Horário: 20h
Classificação: 16 anos
Ingressos: R$ 40,00 (inteira) e R$ 20,00 (meia) 

CONTATOS:
https://www.instagram.com/braseiroespetaculo/
(75) 98107-8567 (Tohn Moreira)
(11) 98927-7235 (Daniela Landin)