O caruru de São Cosme e Damião agora é reconhecido como patrimônio imaterial da Bahia. A decisão foi tomada pelo Conselho Estadual de Cultura (CEC) em votação unânime no dia 19 de setembro e será oficializada hoje, data dedicada aos santos gêmeos.
Essa tradição, tão presente na cultura baiana, mistura fé e gastronomia, sendo um símbolo do sincretismo religioso entre o catolicismo e o candomblé. O prato é preparado com ingredientes típicos, como quiabo cortado, camarão seco e azeite de dendê, e é oferecido primeiramente às crianças, em um gesto que remete ao "caruru de sete meninos." Somente após esse ritual é que os adultos podem saborear o prato.
Além da celebração, o caruru carrega consigo um ensinamento popular: a pessoa que encontrar um quiabo inteiro no prato se compromete a oferecer um caruru completo no ano seguinte. Essa tradição não apenas fortalece os laços comunitários, mas também alimenta o ciclo da fé e da cultura baiana.
O presidente da Câmara de Patrimônio e autor do processo de patrimonialização, Táta Ricardo, falou sobre a aprovação. “O princípio do patrimônio é de fato pertencimento. A gente não aprende na academia, na universidade, patrimônio é algo que a gente herda. O caruru de São Cosme e Damião é uma das maiores manifestações populares de origem sacra do estado, mantida pelas pessoas, famílias e comunidades religiosas e culturais presentes em toda a Bahia”, destacou.
O Caruru de São Cosme e São Damião
O culto a São Cosme e Damião, os santos gêmeos da igreja católica, ganharam especial aspecto na cultura afro-brasileira e afro-baiana, ao encontrarem correspondência com o culto aos Ibejis, divindades gêmeas das religiões afro brasileiras. As celebrações acontecem no dia 27 de Setembro, com a oferta do tradicional caruru.
Na Bahia há uma diversidade de modos como se apresenta o caruru, inclusive com a presença de sambas e rezas. Geralmente as famílias que cultuam os santos, possuem gêmeos e a festa se dá a partir de várias etapas para a sua realização, que ocorre de forma comunitária, com a participação das famílias e a celebração do rito que inclui, inclusive, práticas ritualísticas católicas e afro-brasileiras.
Fonte: Governo da Bahia