O projeto “Vozes da Feira - Festival de Literatura Oral” realiza sua próxima intervenção cultural neste domingo (24), no bairro Tomba, em Feira de Santana. A iniciativa, que ocupa feiras livres da cidade com apresentações artísticas ligadas à oralidade, promoveu no último domingo (17) sua segunda edição na Feira da Estação Nova, com programação de poesia, música, teatro, contação de histórias e improviso. O evento reuniu artistas de diferentes linguagens e aproximou o público de manifestações da cultura popular.
Ao longo da manhã, feirantes, comerciantes e frequentadores acompanharam apresentações que dialogaram diretamente com a identidade cultural das feiras livres. O cordelista Domingos Santeiro levou ao público poesias, repentes, contos e canções inspirados no universo popular nordestino. Já a narradora Daniela Landin apresentou o espetáculo “Vozes da Natureza”, baseado em contos indígenas e em reflexões sobre a relação entre o ser humano e o meio ambiente.
O grupo Cordel também integrou a programação com o espetáculo “A Cidade da Rua Direita”, reunindo humor, criatividade e histórias inspiradas em Feira de Santana. “É uma experiência maravilhosa. O teatro não existe sem o público e poder vir até um local onde o público não tem o costume de apreciar esse tipo de arte é incrível. Vida longa ao Festival Vozes da Feira,” frisou Lion Guimarães, integrante do grupo.
A jovem poeta, atriz e influenciadora baiana Luma Luz emocionou o público com poemas repletos de ancestralidade, consciência antirracista e combate à violência contra mulheres e crianças. Representando o movimento hip-hop, o coletivo Batalha do Portal promoveu uma batalha temática adaptada ao ambiente do festival, ampliando o diálogo entre diferentes expressões da oralidade contemporânea.
A professora Maria Claudia do Carmo contou que soube da programação pelas redes sociais e fez questão de levar a mãe, Maria da Conceição, frequentadora da feira, para assistir às apresentações. “É de suma importância, porque na feira livre a gente perdeu muito dessa literatura oral. Antigamente tinha literatura de cordel, tinha os aboiadores, e isso faz parte das nossas histórias. Acho a iniciativa muito importante porque guarda a nossa memória. E é importante ter esse movimento na feira, porque é um espaço de encontro de muitas pessoas. A gente vem comprar e também enche a sacola de literatura oral”, afirmou.
Idealizador e produtor do projeto, Gustavo Erick destacou a capacidade do festival de se transformar a partir do encontro com cada território e público. “O festival está indo muito bem. Cada lugar é uma surpresa diferente, porque o povo é diferente e as histórias mudam a cada apresentação. A oralidade é viva. Mesmo com os mesmos artistas, cada apresentação ganha novos elementos porque ela se adapta ao público. Aqui na Estação Nova tivemos uma interação muito forte, com pessoas que vieram exclusivamente para assistir ao festival depois de verem nas redes sociais. Isso é o coração do festival: uma arte que se move e se transforma a cada lugar”, afirmou.
Quem também acompanhou toda a programação foi o feirante João Pereira, que trabalha próximo ao local das apresentações. Para ele, a ação cultural trouxe benefícios também para o movimento da feira. “Foi ótimo trabalhar ouvindo palavras da cultura, que também atraiu clientes”, comentou.
O projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal, repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado. O festival também conta com apoio da Secretaria Municipal de Agricultura.
Minha história com a Feira
Todas as informações sobre o festival estão sendo divulgadas no Instagram oficial, @festivalvozesdafeira. O perfil também reúne detalhes sobre o concurso cultural digital “Minha história com a Feira”, que vai premiar vídeos autorais de até três minutos com resenhas, comentários ou opiniões sobre livros e contos, além de relatos narrativos com experiências pessoais relacionadas às feiras livres.
Os vídeos selecionados serão publicados no perfil do festival, e os trabalhos mais curtidos receberão premiações em dinheiro via PIX. Na categoria Resenha Literária, os prêmios serão de R$ 1 mil para o primeiro lugar e R$ 700 para o segundo. Já na categoria Relato Narrativo, o vencedor receberá R$ 500. As inscrições estão abertas e o edital completo pode ser consultado no Instagram do projeto.
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