O preço continua sendo decisivo. A entrada precisa caber no bolso, a prestação não pode comprometer a renda e o condomínio precisa ser compatível com o orçamento. Mas quem busca um imóvel pelo Minha Casa, Minha Vida está olhando cada vez mais para o que vem junto com a casa própria.
Segurança, localização, conforto, lazer para os filhos, áreas verdes e facilidade para resolver a vida no dia a dia passaram a ter peso maior na escolha do imóvel. A mudança de comportamento vem sendo identificada em pesquisas realizadas pela BCB Inteligência em diferentes mercados brasileiros e ajuda a entender também as transformações recentes do mercado imobiliário de Feira de Santana.
Segundo Bruno Cantalupo, diretor executivo da BCB Inteligência e especialista em pesquisa do mercado imobiliário, qualidade de vida no Minha Casa, Minha Vida aparece principalmente associada a segurança, organização do condomínio, lazer para os filhos, funcionalidade, conforto e à percepção de evolução familiar.
Na prática, o comprador não quer apenas conseguir comprar. Quer sentir que está melhorando de vida.
Isso não significa, porém, que o consumidor esteja disposto a pagar por qualquer diferencial. Uma das constatações das pesquisas é justamente a distância entre aquilo que o comprador gostaria de ter e o que efetivamente influencia sua decisão de compra.
Piscina, academia, espaço gourmet e outros equipamentos podem despertar interesse. Mas uma entrada maior, uma prestação apertada ou um condomínio caro podem fazer o consumidor desistir do imóvel.
É por isso que o desafio para construtoras e incorporadoras do segmento econômico mudou. Em vez de simplesmente aumentar a lista de equipamentos, é preciso escolher soluções que façam diferença na rotina sem aumentar excessivamente o custo da moradia.
Sombra, ventilação, iluminação natural, arborização, segurança, espaços para crianças, locais para caminhar e conviver e estruturas de manutenção simples aparecem entre os atributos capazes de melhorar a experiência do morador sem transformar o condomínio em um problema financeiro. A lógica é simples: no Minha Casa, Minha Vida, qualidade precisa caber na conta.
Outro fator ganha importância nessa escolha: a localização. A casa pode ser boa, mas a vida fica mais difícil quando tudo está longe. Tempo de deslocamento, transporte, acesso a comércio, escolas, saúde e outros serviços entram cada vez mais na avaliação.
As próprias diretrizes atuais do Minha Casa, Minha Vida valorizam empreendimentos próximos a comércio, equipamentos públicos e transporte, além de aspectos como ventilação, iluminação natural, conforto térmico, durabilidade e menor custo de manutenção.
E Feira de Santana começa a apresentar novidades que acompanham esse movimento. Um novo empreendimento será lançado pela construtora Estação 1 na região do Parque Getúlio Vargas, próximo ao Colégio Gregor Mendel e a poucos metros da Avenida Getúlio Vargas.

A localização chama atenção por aproximar um produto do segmento econômico de um dos principais eixos urbanos de Feira, facilitando a conexão com diferentes regiões da cidade e o acesso a comércio e serviços. Mais detalhes sobre o empreendimento deverão ser divulgados oficialmente durante o lançamento.
A mudança também está chegando à maneira de apresentar um imóvel. Expressões como “qualidade de vida” e “lazer completo” dizem pouco quando aparecem sozinhas. Para o consumidor, importa entender o benefício concreto.
Uma área arborizada pode significar mais sombra e conforto. Um espaço infantil bem planejado representa um lugar seguro para os filhos brincarem. Boa ventilação pode tornar o apartamento mais agradável. E uma localização melhor pode representar menos tempo perdido no trânsito. É essa tradução para a rotina que começa a diferenciar os produtos.
O próprio estudo de Cantalupo resume o papel do bem-estar no Minha Casa, Minha Vida como uma “evolução concreta da qualidade de vida sob baixa elasticidade de preço”. Em outras palavras, o comprador deseja avançar, mas tem pouca margem para absorver aumentos de preço. O maior risco, segundo a análise, é criar custos que não sejam percebidos pelo consumidor como benefícios reais.
Para um mercado como o de Feira de Santana, onde o Minha Casa, Minha Vida movimenta uma parcela importante dos novos empreendimentos residenciais, essa mudança estabelece uma nova régua.
Preço, subsídio e financiamento continuam abrindo a porta da casa própria. Mas, na hora de escolher onde morar, uma pergunta começa a pesar cada vez mais: como vai ser a vida da minha família aqui?
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