Entre cores vibrantes, cheiros que se misturam, o vaivém dos carrinhos, a astúcia dos feirantes e a pressa de quem atravessa o Centro de Abastecimento, a arte encontrou espaço para florescer. E foi justamente ali, no coração pulsante de Feira de Santana, que o “Vozes da Feira – Festival de Literatura Oral” realizou sua primeira intervenção cultural no sábado (9), transformando o local em palco para poesia, histórias, música e rima.
Com apresentações em frente ao Galpão de Cereais, o festival alcançou ao mesmo tempo quem circulava pelo Centro de Abastecimento e Shopping Cidade das Compras, cumprindo a proposta de levar arte para onde as pessoas já estão. E a resposta do público veio através dos olhares atentos, interação com os artistas, registros e identificação.
“Os públicos variaram muito de apresentação para apresentação. Tinha gente que passava e olhava, gente que parava e dançava, gente que interagia com os artistas. Isso mostra que a feira é sim um lugar para ser ocupado como espaço de arte. Na verdade, ela já é arte, às vezes as pessoas só precisam ser lembradas disso”, destacou Gustavo Erick, produtor e idealizador do projeto.
Diferentes linguagens
A programação reuniu artistas locais de diferentes linguagens da oralidade. A narradora Daniela Landin apresentou “Vozes da Natureza”, espetáculo inspirado em contos indígenas e na relação entre ser humano e meio ambiente. “Não é comum trazer a palavra falada para os espaços da feira livre a partir de atividades artísticas. Acho que isso desperta interesse tanto dos comerciantes quanto dos frequentadores”, afirmou.
O cordelista Domingos Santeiro levou poesia, repente, contos e canções que dialogaram diretamente com a identidade do espaço. “Aqui é o lugar do homem do campo, do vaqueiro, do pessoal da roça. O cordel e o repente fazem parte da nossa cultura nordestina”, disse.
Já o coletivo Pipas Literarts apresentou o espetáculo “João Giló no Sertão”, adaptado para uma linguagem sertaneja e popular. Para o artista Léo Sátiro, a experiência trouxe novos desafios. “É um público diferente. Não é necessariamente quem senta para assistir do começo ao fim. É gente que passa, para um pouco, leva um pedaço da história consigo. Isso torna tudo muito interessante.”
A jovem poeta, atriz e influenciadora baiana Luma Luz emocionou o público com poemas marcados pela ancestralidade, pela consciência antirracista e pelo combate à violência contra mulheres e crianças. A apresentação contou também com a participação da escritora e palestrante Caroline Vilarinho. “Devemos levar arte e cultura para o povo. É uma experiência maravilhosa apresentar em uma feira”, afirmou Luma.
Representando o movimento hip-hop, o coletivo Batalha do Portal levou uma batalha temática adaptada ao ambiente do festival. O artista Avelix destacou a importância de ocupar novos espaços culturais na cidade. “A intenção é ocupar os espaços de Feira. Hoje conseguimos visualizar possibilidades de novas intervenções aqui também.”
Mas talvez uma das imagens mais simbólicas do festival tenha vindo justamente do público. A comerciante Elizângela Assunção, enquanto acompanhava as apresentações, falou sobre memória afetiva e pertencimento. “As histórias fazem a gente voltar para a infância, para nossas raízes. Isso faz muito bem”.
Há dez anos trabalhando como carregador no Centro de Abastecimento, William Martins também parou para assistir às atrações. “Muito lindo. A cultura, a educação que os artistas passam… isso é muito importante para todos nós”, comentou.
Interpretação de Libras
O humorista Waton Filho, que é surdo, chamou atenção para a presença de intérpretes de Libras durante toda a programação, como Jamile Costa, responsável pela mediação em sua entrevista. “A presença do intérprete possibilita inclusão e interação de todo o público. Quando a tradução é feita com qualidade, a gente consegue até sentir a música”, destacou Wanton.
Programação segue
As próximas ações do “Vozes da Feira” acontecem nos dias 17 de maio, na Feira da Estação Nova, e 24 de maio, na Feira do Tomba.
Apoio
O projeto foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura na Bahia, realizados com recursos do Governo Federal repassados pelo Ministério da Cultura, e executados pelo Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado. Também conta com apoio da Secretaria Municipal de Agricultura.
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